Poucos ingredientes têm fama tão ruim quanto os parabenos. “Sem parabenos” virou argumento de venda. Mas a história é mais complicada: alguns parabenos foram proibidos, outros continuam permitidos e estão entre os conservantes mais estudados que existem.
Para que servem
Parabenos são conservantes: impedem que fungos e bactérias cresçam no produto depois de aberto. Todo cosmético com água precisa de algum conservante. Sem ele, o creme estraga e pode causar infecção.
O que a União Europeia decidiu
- Proibidos desde 2014: isopropilparabeno, isobutilparabeno, fenilparabeno, benzilparabeno e pentilparabeno, por falta de dados que comprovassem a segurança.
- Permitidos com limite menor: propylparaben e butylparaben. A soma dos dois não pode passar de 0,14%, e eles são proibidos em produtos sem enxágue para a área da fralda de crianças menores de 3 anos.
- Permitidos: methylparaben e ethylparaben, até 0,4% cada (0,8% somando os parabenos).
Essas regras vêm de pareceres do comitê científico europeu (SCCS). A ficha de cada parabeno no nosso dicionário mostra o nível que ele tem na nota e o motivo.
E o câncer de mama?
A polêmica começou com um estudo de 2004 que encontrou parabenos em amostras de tecido de câncer de mama. O estudo não mostrou que os parabenos causaram o câncer, e pesquisas seguintes não confirmaram essa ligação. Os parabenos têm uma ação hormonal fraca em laboratório, milhares de vezes menor que a do estrogênio do próprio corpo. Foi por precaução com essa ação que a UE limitou propil e butilparabeno.
“Sem parabenos” é sempre melhor?
Não necessariamente. Para tirar os parabenos, o fabricante precisa usar outro conservante, e alguns substitutos causam muito mais alergia. O exemplo mais conhecido é o methylisothiazolinone, que provocou uma onda de alergias de contato na Europa e acabou proibido em produtos sem enxágue. Outros usam conservantes que liberam formaldeído aos poucos.
O melhor é olhar o conservante que está no lugar, não só a ausência dos parabenos. A ficha de cada produto na Luupa mostra o nível de cada um.
Resumo
- Metilparabeno e etilparabeno: permitidos e bem estudados.
- Propilparabeno e butilparabeno: permitidos com limite; evitar em produtos sem enxágue para a área da fralda.
- Os outros parabenos: proibidos na UE.
- “Sem parabenos” não garante um produto mais seguro: confira o conservante usado.
Quer entender como cada ingrediente pesa na nota? Veja a metodologia.
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